sábado, julho 01, 2006

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Entre um suspiro e outro, uma lembrança ruim e (ou) uma boa. Entre o esvaziar o peito com um choro contido, num canto do quarto, e o estufar do mesmo com uma dor que parece não sumir. É nesse cenário que tento escrever agora.
Confesso que minha primeira motivação foi fazer uma lista daquelas de "quem sou eu" aqui... Igualzinha às que vejo em milhares de blogs... Gosto daquelas que começam e terminam no estilo "já fui isso, já fiz aquilo, detesto aquilo outro". A parte que me diverte é ver como elas mentem. Como são parecidas e mentirosas. Quer conhecer parte de alguém que você ainda não conhece? Quer saber dos defeitos de alguém que te interessa? Dá uma olhada no Orkut dela( é difícil alguem não ter) e vai na parte "o que não suporto". Está lá. Invariavelmente, é exatamente o que está escrito que define quem é essa pessoa. Se tem lá "hipocrisia, falso-moralismo, desrespeito" (e como tem gente que põe exatamente isso) pode crer que é assim que a criatura é; hipócrita, falso-moralista e desrespeitosa.
É cada vez mais raro encontrar pessoas de bem nesse mundo todo doente. Com essa nova moda de "parecer", é comum encontrar gente que "não se suporte". Todo mundo insiste que pra ser feliz tem de ser o que esperam que seja. Esperam de mim que tenha vivido inúmeras coias em minha vida, que tenha provado de milhares de sabores, que tenha sido enganado, mas que tenha mentido tambem, que tenha traído porque fui traído, que tenha agredido alguém, que tenha ofendido alguém, que tenha roubado, que tenha me formado, que seja rico, ou prestes a me tornar, que seja popular, que saiba falar em público, que tenha sempre uma opnião sobre tudo, que tenha sempre uma piada a ser contada, que seja lindo, que mantenha a forma, que tenha estórias mil de transas espetaculares em lugares loucos. Que tenha gozado mais de cinquenta vezes numa mesma noite, que tenha múltiplos talentos, que saiba ler, escrever, cantar, dançar, desenhar, pintar, entoar mantras, que saiba prever o futuro, que converse com espíritos, que tenha passado por experiências de vidas passadas, que saiba o segredo da vida, que tenha sabedoria mas que seja fútil a ponto de desconsiderar a consequência de cado ato na vida.
Quem não tem nada disso tem uma vida chata. Pois é, talvez então, por esse mesmo motivo, nunca consigo fazer uma lista "já fui isso, já fiz aquilo".
Já li certa vez que uma das definições de falar merda é falar do que não se sabe. Como o que sou não é rigorosamente a mesma coisa com o passar dos anos (por mais que tenha gente que ache que sou uma pedra parada no mesmo lugar), imagino que seja falar merda então, dizer o que serei daqui uns anos. O que farei e o que pensarei. A única coisa que posso ter certeza nessa vida é sobre a minha natureza. Minha essência. Minha alma.
Já me falaram que querem conversar comigo daqui uns dez anos pra saber se ainda terei a mesma visão do mundo e das pessoas. Me falaram isso em tom irônico. Projetaram em mim culpas, mágoas, tristezas, erros, vícios e maldade que não são de minha responsabilidade. Cada vez mais tenho certeza de que fazer o bem, o que é certo, e de valorizar e ser comprometido com tudo isso, realmente constrange a maioria das pessoas. Me acusam de coias que não me dizem respeito. Pois então que o façam. Que me chamem de antiquado tamebm. Careta... O que diabos for conveniente a eles todos.
Se deitar todo dia de noite e não pesar em minha alma a maldade que possa ter feito a alguém é ter uma vida chata, que seja. Minha vida é muuuuuito chata então.
Mas já me falaram que eu sei escrever direitinho. Sei que eu sei desenahr. Toco violão também. E sei cantar, embora tenha vergonha demais. E isso não é mentira. (risos)

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