John Doe estava lá, todo imundo, cansado e suado. Noites em claro e dias de escuridão em seu coração. Sua fome então, nem se fala. Cavalar.
Estava lá, naquela cela quase toda escura, iluminada apenas por um único fio de luz que vinha do alto. Aquilo lhe permitia enxergar o mínimo para que continuasse acordado e ciente de que o dia ou a noite chegavam.
Correntes lhe prendiam o pescoço e um grande peso amarrado em suas pernas. Do outro lado do minúsculo recinto, havia um pão. Parecia apetitoso até que o Diabo chegou.
O tinhoso chegou e por pura crueldade pisoteou o pedaço de comida inúmeras vezes.
Fez isso mais e mais. Até que hoje, pelo final da tarde, chegou novamente e apenas cuspiu em cima e chutou o pão para perto de John.
Doe ficou ali, olhando para o pão que o Diabo amassou. E com a fome que corroía suas entranhas, e a mais absoluta certeza de que mais nada lhe restava, catou tudo do chão e começou a comer de forma suja, deprimente e desesperada.
sexta-feira, maio 18, 2007
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