Sem emprego.
Sem produção.
Sem grana pra sair.
Sem a mulher que eu amo.
Sem privacidade.
Sem paz.
Sem minha mãe e meu pai.
Sem meus amigos.
Sem o Guigui.
Sem praia.
Sem conseguir dormir.
Sem carinho.
Sem beijo na boca.
Sem abraço forte.
Sem vontade.
"Seja forte, Fabinho..." "Tenha calma, meu filho." "Tudo se encaixará!" "Vai passar" "Você não me ama, isso é obsessão" "Não reclame! Você mora num ótimo bairro e está cercado de conforto!" "Você tem uma vida linda, é um homem sadio, você vai conseguir superar tudo isso."
Sadio? É... Tirando a gastrite que já deve ter virado úlcera, realmente eu estou completamente sadio. Pelo menos aparentemente. Graças a Deus eu enxergo, me movo direito, ouço, falo e tenho todas as partes do corpo. Não passo fome e nem durmo no frio.
Mas e por dentro? Onde ninguém pode ver? Onde ninguém pode chegar? Tudo destruído... Tudo bagunçado... Não há nem um segundo de paz em minha alma... Não há nem uma gota mais de esperança em meu coração... Rezo, rezo, rezo e nada parece ser ouvido... Pareço falar sozinho... Quanto mais tento, mais erro...
Viver coma certeza de que não a terei mais é insuportável... Será que isso é tão difícild e entender e(ou) acreditar? Ninguém mais sente isso hoje não?
Que droga eu faço de tudo isso que sobrou aqui? Toda essa parte podre do paraíso, única parte que me restou...
quarta-feira, abril 18, 2007
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