sábado, julho 08, 2006

"Não fiz por mal"

Assisti o Globo Repórter de ontem. Gostei muito do primeiro bloco apenas. Os outros foram divertidos ou trágicos, com excessão da parte em que uma especialista, que já tinha visto dando entrevista pro Jô Soares, falava dos sinais físicos da mentira.
Sempre achei que a mentira surge da educação, mas como é refrescante ver um programa de t.v. dizendo o mesmo, já que a maioria das pessoas só ouve, e confia, no que é dito lá. Uma jornalista se deu ao trabalho de procurar a opnião de profissionais envolvidos com educação, psicologia e afins. Até jogador de pôquer foi ouvido! E ninguém melhor pra falar sobre mentira do que um jogador, não é?
Um psicólogo, se não me falha a memória, disse em certo momento da reportagem, que a mentira nasce da necessidade social. Que somos educados para sermos simpáticos e capazes de viver em grupo. Que ser absolutamente verdadeiro pode se tornar grosseiro em certos momentos.
Concordo em termos. Polidez é realmente uma qualidade adimirável... Mas seria característica de alguém virtuoso? Eu acho que não. Alguém pode cometer um crime e ser polido ainda assim. Desse excesso de polidez é que nasce a hipocrisia, penso eu. Uma vez cometido um "pecado", na ausência de uma referência moral e, consequentemente, de uma educação baseada na moral, na justiça e no respeito, certamente o segundo "pecado" virá com mais facilidade. Surge então o costume, o hábito, ou ainda pior; o vício, que, até onde eu sei, é o contrário de virtude.
Não acredito que alguém que viva do costume da mentira possa ser realmente feliz. Até mesmo sua felicidade é uma mentira. Negar o que realmente pensa e quer para tornar-se aceito no grupo é, antes de qualquer outra coisa, mentir para si mesmo. O tamanho dessas mentiras determina a distância em que a felicidade e a "paz de espírito" estarão.
Crianças muito novinhas não mentem. São inocentes e felizes. A vida de uma criança de dois anos só é infeliz com um adulto por perto.
Sei que é impossível voltarmos no tempo e recomeçarmos tudo, mas deveríamos pensar seriamente em uma mudança de hábitos, numa comprometida e sincera avaliação do que fazemos e em que nos tornamos. Existe muita dor no mundo, e em grande parte dos casos, quem fere é quem já está, ou foi, ferido.
Ouço muitos falando no desejo de "um mundo melhor pra viver", e muito me impressiona que só considerem doações de dinheiro, filantropia, uso de imagem e trabalhos sociais em instituições beneficentes como atitudes que visam sua construção.
Do que adianta "Dona Maria" ser rica, ter um cargo alto e ser eficiente em sua área, doar uma grande quantia em dinheiro todo mês para uma ONG que cuide de crianças vítimas do narco-tráfico, se ela estiver descontente com seu casamento, trair seu marido, e seu filho, a quem nunca deu uma real educação, for um violento traficante de drogas? Ela destrói tudo que tenta construir simplesmente por enganar a si mesma.
Sejamos bons em nós mesmos. Sejamos bons por dever, e não por interesse. Conheçamos um novo conceito de liberdade. Ou quem sabe, a verdadeira liberdade.

Um comentário:

Gabriela Lacerda disse...

Concordo em gênero, número e grau! Beijossss