quarta-feira, junho 07, 2006

POR QUE SER MORAL?

CAPÍTULO 15
POR QUE SER UM SUPER-HERÓI?
POR QUE SER MORAL?
*
- C. Stephen Layman – Professor de Filosofia na Universidade Seattle Pacific. Autor dos livros The Shape of the Good e The Power of the Logic, além de numerosos artigos acadêmicos em periódicos profissionais.

MOTIVOS PARA ALGUÉM SER MORAL

Motivo um: Se você não cumprir seu dever moral, será afetado por consequências negativas, de modo direto ou indireto.

A expressão “consequências negativas é vaga, admito; por isso, deixe-me esclarecê-la. Se as consequências negativas forem menores (como um tapa no punho, literal ou figurativo), elas não proporcionarão motivos suficientemente bons para serem morais. Então, as consequências negativas devem contrabalancear, ou seja, devem ser mais que suficientes para compensar o que quer que ganhe por não cumprir com sua obrigação. Além disso, as consequências negativas não devem ser negativas apenas sob o ponto de vista moral, como a perda da integridade moral. Em vez disso, elas precisam envolver tipos de sofrimento ou perda que gostaríamos de evitar mesmo que, fora isso, não nos importemos com a moralidade. Em suma, o Motivo Um diz que nunca alcançaremos nosso auto-interesse, se fizermos algo moralmente errado.

Motivo Dois: Porque é certo.

Aplicada à pergunta maior, “por que ser moral?”, essa resposta significaria: “Porque ser moral é certo.” Ora, pode parecer simples demais, mas alguns grandes filósofos, como Immanuel Kant (1724-1804) e F. H. Bradley (1846-1924), levam tal conceito muito à sério. A idéia básica é a seguinte: não podemos convencer as pessoas a cumprir seus deveres morais apelando para o auto-interesse delas, pois, se fizerem a coisa certa só por motivos de auto-interesse, não estão agindo de modo moral. Devemos fazer a coisa certa porque é o certo, e não alguma recompensa pessoal.
(...) Os super-heróis clássicos cumprem essa tarefa porque acham que é a atitude certa, e não porque pensam que terão benefícios pessoais.
Entretanto, é óbvio que o Motivo Dois não oferece uma resposta satisfatória à pergunta: “Por que ser moral?” Sem dúvida, devemos fazer o que é certo porque é certo, e não para obter uma recompensa estritamente pessoal. Mas e se, diante de tal caso, nós tivermos motivos mais fortes para fazer a coisa errada? Então,fazer o certo seria irracional. E seria desmoralizador viver em um Universo em que só podemos ser plenamente morais se formos irracionais. Assim, embora devamos fazer o certo porque é certo, precisamos ter certeza de que, ao agir dessa maneira, não estamos sendo irracionais.
Agora, vamos organizar nossas referências. Faremos isso constratando os Motivos Um e Dois com alguns motivos diferentes apresentados por figuras de destaque na história da Filosofia, de modo particular Platão e Aristóteles. À nossa pergunta “por que ser moral?”, Platão daria a seguinte resposta:

Motivo Três: Cumprir o seu dever é o único modo de você obter harmonia em sua alma (em termos mais vulgares, paz de espírito).

De acordo com Platão, a alma de uma pessoa é constituída de razão, apetites e o que le chamava de “o elemento animado”. A razão inclui a consciência, aquela faculdade ou habilidade interior por meio da qual, na maioria das situações, nós sabemos o que é certo e errado. Os apetites são desejos físicos por coisas como comida, bebida e sexo. Por meio do elemento animado, somos competitivos ou nos dispomos a lutar e nos empenhar. Para Platão, a razão (portanto, a consciência) deve governar a alma; do contrário, a alma ficará desordenada e sem harmonia. Portanto, a harmonia da alma (ou paz de espírito) só é possível se formos morais.
A resposta de Platão pode servir para algumas pessoas corretas e morais. Essas pessoas têm uma consciência bem formada, semtem-se culpadas quando violam o que a consciência lhes ordenou a fazer, talvez se flagelando até por pequenas transgressões. (...) Como muitos outros super-heróis, sempre que ele se sente atraído pela idéia de abandonar suas responsabilidades, o tumulto interior de sua consciência pesada o coloca de volta ao caminho. Ele não se sente bem com sua alma, a menos que esteja lá nas ruas, fazendo o bem ao mundo.
(...) Alguns teóricos morais, como Aristóteles, enfatizavam traços de caráter, virtudes e vícios, em vez de veres, em suas versões de moralidade. As virtudes incluem ser sábio, justo, moderado e corajoso. Os vícios incluem traços como ser tolo, injusto, imoderado e covarde. Sob o ponto de vista de Aristóteles, avida boa e correta para um ser humano é uma vida de acordo com a virtude. Essa abordagem da ética sugere o seguinte motivo para sermos morais:

Motivo Quatro: A virtude é sua própria recompensa; ou seja, ter um bom caráter moral (ter virtudes) é necessariamente um benefício maior que qualquer outro que você possa obter à custa de seu bom caráter moral.

* Super-Heróis e a Filosofia - Verdade, Justiça e o Caminho Socrático.
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Nos próximos dias, ou quem sabe horas, colocarei o resto quarto motivo e tambem o "Motivo Cinco: Ser moral sempre compensa, no fim, uma vez que o "fim" inclui a vida após a morte."

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