sexta-feira, maio 26, 2006

Madrugada de leitura

“Infelizmente, a amizade de prazer de um jovem nem sempre é estável. Aristóteles explica: “Pois a vida dos jovens é guiada por seus sentimentos, e eles buscam acima de tudo o que é prazeroso e fácil de adquirir. Mas, quando crescem, o que lhes é prazeroso muda também. Por isso, são rápidos para fazer amizade e rápidos em acabar com ela” (Aristóteles, A Ética a Nicômaco)”

Trecho do livro Super-Heróis e a Filosofia – Verdade, justiça e o caminho socrático.
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“Se você está lendo esse livro, deve ter aquecedor no inverno e ar-condicionado no verão – é capaz de controlar a temperatura em sua casa programando um temostato para o nível que preferir. Em 20 minutos, você pode chegar a uma loja que vende uma enorme quantidade de gêneros alimentícios que eram inacessíveis aos mais poderosos reis de épocas passadas. Para os nossos ancestrais, uma vida devotada ao bem menor do desejo e medo seria quase certamente infeliz, pois os recursos para satisfazer a experiência e a emoção sensoriais eram quase inexistentes – a mera experiência sensorial deles informava se estava quente ou frio demais, ou se queriam comer ou beber algo específico, mas se deixassem essas demandas do cenário pequeno determinar sua felicidade, teriam, ao contrário, uma infelicidade garantida. Mas no ocidente contemporâneo e em parte do resto do mundo, a situação já não é mais assim. Nós construímos um novo mundo humano no qual as exigências do momento podem ser satisfeitas com mais facilidades, e sem dúvida esse é, em grande parte, o motivo de nosso ceticismo quanto a qualquer afirmação de que a atratividade natural da experiência e da emoção sensoriais deve ser resistida em favor do cenário maior. E é parte do motivo por que nos tornamos céticos quanto à sabedoria. (...) Sócrates e outros pensadores da Antiguidade acreditavam que satisfazer todas as demandas do quadro menor, no fim das contas, só gera mais insatisfação. E é um fato curioso que, em uma época de prosperidade material sem precedentes, as pessoas parecem se queixar cada vez mais. Na verdade, nas sociedades menos materialmente avançadas do passado, queixar-se era considerado um mau hábito.”

Trecho do livro Super-Heróis e a Filosofia – Verdade, justiça e o caminho socrático.

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